Transporte acessível e inclusivo para cadeira de rodas

Man climbs CN Tower steps in wheelchair

Escrito por Ricardo Shimosakai

7 de fevereiro de 2024

Transporte acessível e inclusivo. Eu considero o transporte um dos itens mais importantes para se conseguir a inclusão, e que está relacionado direta ou indiretamente a todas as iniciativas de acessibilidade. Afinal, não basta que os lugares sejam acessíveis, também é preciso conseguir chegar até o local. Em minha consultoria em acessibilidade, quando não é algo pontual, mas que abrange um destino ou um estabelecimento grande como um resort, por exemplo, eu sempre oriento na questão da mobilidade e o transporte acessível e inclusivo.

Eu mesmo, no começo de minha lesão, não consegui um trabalho porque eu ainda não tinha carro, e o transporte público até o local era muito difícil. O transporte está presente em todas as áreas de nossa vida, como o estudo, trabalho, saúde, lazer e qualquer outra que você imaginar. No meu Curso Online Acessibilidade e Inclusão há um módulo especial que fala sobre transporte acessível e inclusivo.

Transporte acessível e inclusivo

Quando começamos a investigar o transporte mais a fundo, os problemas começam a aparecer. O ônibus urbano, aquele que roda curtas e médias distâncias pela cidade, é o mais clássico. Algumas cidades é difícil encontrar acessibilidade nos ônibus urbanos, e na maioria dos locais onde ele existe, são equipados com aquelas plataformas elétricas, que enguiçam a toda hora ou que o motorista esquece de como acioná-la. São Paulo mudou o modelo de ônibus urbano, para ônibus de piso baixo com uma rampa basculante. A rampa é manual, basta puxar, simples e rápido e difícil de quebrar.

O ônibus rodoviário, é aquele com poltronas, onde vai todo mundo sentado, geralmente utilizado para viagens de longa distância, ou para serviços fretados na cidade. O problema é como entrar, pois são raros os ônibus desse tipo com acessibilidade. A adaptação existe, e de fabricantes nacionais, porém poucas empresas adaptam seus ônibus. Naqueles com adaptação existente, só cabe uma cadeira de rodas, aliás isso acontece também nos ônibus urbanos. Então se dois cadeirantes quiserem pegar o mesmo ônibus, não há como fazer isso de forma adequada. Eu sempre dou o exemplo do ônibus rodoviário acessível da Alemanha, onde cabem até 12 cadeira de rodas.

O Metrô, especialmente o de São Paulo, é um dos melhores meios de transporte público. Todas as estações do Metrô de São Paulo já foram adaptadas, e as novas estações já são construídas com acessibilidade, com elevadores e rampas. Diferente do ônibus, é possível ir quantas cadeiras de rodas quiser na mesma viagem, e dentro do vagão há informação sonora, dizendo qual a próxima estação e o lado do vagão que será o desembarque, uma acessibilidade para cegos.

Acima de todas as portas do vagão, há um mapa luminoso, onde as estações com a luz acesa são aquelas que já passou, onde há uma luz piscante é a próxima estação, e está apagada, ainda não passou, uma acessibilidade para surdos. Na verdade, essas acessibilidades são úteis para todos. Pela grande utilidade desse tipo de transporte, ele está em expansão constante faz décadas sem parar. O Metrô de São Paulo é o melhor transporte acessível e inclusivo que eu conheço, comparado à diversas grandes cidades do mundo que eu já visitei. Eu sempre cito caso de sucesso nas minhas palestras.

Os carros de passeio pagos por corrida, incluem o Taxi e Uber. Não existem exemplares de Uber com acessibilidade no Brasil, somente em outros países. Existem táxis adaptados para cadeirantes, onde você entra no veículo sem precisar sair de sua cadeira de rodas. O Fiat Doblô com plataforma e a Chevrolet Spin com rampa, são os modelos que existem no Brasil. Além do passageiro em cadeira de rodas, cabe mais um acompanhante no banco da frente.

Mas para quem consegue se transferir sozinho, qualquer carro serve, depois é só desmontar a cadeira de rodas e colocar no porta-malas. O taxi adaptado ajuda muito a pessoas dependentes a se transportarem sozinhos, como por exemplo tetraplégicos, que não conseguem fazer a transferência sozinhos e que geralmente utilizam uma cadeira motorizada pesada que não é simples de desmontar.

Nos aviões, o embarque é feito através do finger, aquela ponte do saguão de embarque até a porta do avião, ou pelo ambulift, uma espécie de carro-elevador. Em alguns lugares mais precários, utilizam equipamentos para escalar a escada de embarque no avião. A companhia aérea é obrigada a oferecer suporte para fazer a transferência para a poltrona, pois a cadeira de rodas é despachada como bagagem.

Nos voos nacionais é impossível um cadeirante utilizar o banheiro, mas nos voos internacionais existe uma cadeira de rodas interna e a tripulação te leva até um banheiro que adaptam na hora para você entrar. Ao contrário do que muitos pensam, você não tem direito de ser acomodado na primeira fileira, a não ser por uma necessidade justificada, e não por uma simples questão de conforto. O que falta para as companhias aéreas é um melhor treinamento, pois em várias viagens não fui bem atendido e sei de muita gente que constantemente passa pela mesma situação que eu. Eu tenho uma boa experiência para dar um treinamento à essas empresas, mas falta a acessibilidade atitudinal, delas aceitarem a minha oferta.

O carro próprio, quando adaptado, também é um tipo de transporte acessível e inclusivo. Há diferentes tipos de adaptação, dependendo da necessidade do motorista. Eu, que são não tenho a mobilidade das pernas, de acordo com o Detran, estou autorizado a dirigir um carro automático, com adaptação de aceleração e freio manual. Como disse, eu faço a transferência sozinho, então para mim isso basta.

Mas há outras questões que precisam estar adequadas, além do carro, como as vagas de estacionamento acessíveis, pois eu preciso de espaço para entrar e sair do carro, sendo assim, uma vaga comum não me serve. Para regulamentar o direito de estacionar em vagas acessíveis reservadas, existe o cartão de estacionamento DeFis. O maior problema é a falta de respeito de quem estaciona nessas vagas sem ter o direito.

Uma modalidade de transporte de aluguel, são as vans adaptadas. Geralmente o acesso à elas é por plataformas elevatórias, mas eu já vi modelos com rampa, em uma viagem que fiz a trabalho para Cancun, no México. Existem serviços públicos utilizando esse tipo de veículo, como é o caso do Atende, oferecido pela Prefeitura de São Paulo, onde a pessoa com deficiência se inscreve e tem o transporte agendado para atividades básicas, como estudo, trabalho e tratamentos de saúde. Dependendo do modelo da adaptação, cabem de 1 até 4 cadeira de rodas no mesmo veículo.

Ainda existem os trens, mas não é muito desenvolvido no Brasil. O trem metropolitano é parecido com o Metrô, porém com uma qualidade inferior, no geral. Já os trens de viagem, não existem no Brasil, mas são uma ótima opção no exterior. Existem trens turísticos aqui, mas que percorrem um trecho curto, mais para um passeio do que para um transporte.

Os barcos também não são comuns no Brasil, e na verdade, no mundo inteiro eles são pouco acessíveis. Embarcações de grande porte como cruzeiros, tem uma estrutura de acessibilidade melhor. Para barcos menores, eu vi boas iniciativas em Veneza na Itália, onde existe o Vaporetto, como se fosse um ônibus aquático, e também modelos de lancha que são taxis aquáticos, e das tradicionais Gôndolas, que possuem uma plataforma elevatória de acesso.

Assista a live no vídeo abaixo, onde eu converso com Claudio Souza que também é cadeirante, e falamos bastante sobre transporte acessível e inclusivo. Se você quiser saber mais a respeito de acessibilidade, siga o meu perfil do instagram, acompanhe meu Blog e assine o meu canal do YouTube, nesses canais tem muita informação de graça. Para serviços profissionais, veja as opções no meu site https://ricardoshimosakai.com.br/

 

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