Acessibilidade exclusiva. Como deve ser a exclusividade?

Man climbs CN Tower steps in wheelchair

Escrito por Ricardo Shimosakai

8 de maio de 2024

Acessibilidade exclusiva. Dependendo da situação, existem locais exclusivos destinados às pessoas com deficiência. Geralmente são locais diferenciados, com medidas ou questões operacionais que precisam de uma característica fora do padrão, para que a acessibilidade seja aplicada. Mas é preciso tomar cuidado para que a exclusividade não acabe indo para um caminho, onde a pessoa com deficiência receba privilégios sem necessidade. Abaixo darei vários exemplos de acessibilidade exclusiva em diferentes situações.

Acessibilidade exclusiva

Um local onde a acessibilidade exclusiva é necessária, são as vagas de estacionamento para as pessoas com deficiência. Elas são diferenciadas pelo tamanho, pois uma pessoa com deficiência, principalmente os usuários de cadeira de rodas, precisam de um espaço maior, com uma área de transferência. A exclusividade é tão aplicada neste caso, que existe até sinalização informando isso e o Cartão DeFis, que é uma credencial que autoriza a pessoa a estacionar nesse local. No meu Curso Online Acessibilidade e Inclusão, falo com mais detalhe sobre isso, e do transporte em geral.

Os banheiros acessíveis teoricamente tem uma acessibilidade exclusiva, mas essa exclusividade fica somente na consciência moral de cada pessoa, em respeitar que o banheiro acessível seja de uso somente pelas pessoas com deficiência. Então muita gente não tem respeito, e utiliza muitas vezes por comodidade. Várias vezes já vi em aeroportos, funcionários que utilizam o banheiro acessível como vestiário, pois além de espaçoso, não há outras pessoas para incomodar, porém isso não é uma necessidade, e sim um conforto.

Alguns locais trancam o banheiro para garantir a exclusividade, mas o problema é ter que chamar o responsável para abrir. O banheiro é um dos pontos onde geralmente passo mais orientações em minha consultoria de acessibilidade, é um dos ambientes mais importantes para pessoas com deficiência física.

Os quartos de hotéis também são diferenciados, pelo tamanho suficiente para uma cadeira de rodas conseguir circular com facilidade, e pelos equipamentos como barras de apoio, torneiras de monocomando e outros itens. Porém, não há uma regulamentação para uma acessibilidade exclusiva, onde somente pessoas com deficiência possam usar esse quarto. Há uma recomendação, em dar prioridade, mas caso os outros quartos estejam ocupados, é possível alugar o quarto acessível para uma pessoa sem deficiência. Na minha opinião, isto deveria ser revisto, pois na prática abre uma brecha para alugar a qualquer tipo de pessoa, e os hotéis acabam não respeitando a recomendação.

Os espaços para cadeira de rodas em teatros, cinemas e auditórios é uma acessibilidade exclusiva fácil de se lidar. Afinal, no espaço reservado não há nada, a não ser o espaço para que um cadeirante possa se posicionar, então ninguém que não seja um usuário de cadeira de rodas, reserva esse lugar. Inclusive, várias vezes já assisti peças e filmes onde as poltronas já tinham sido todas vendidas, mas os espaços reservados estavam vazios. Nesse caso, o problema é que nos sistemas de venda e na bilheteria, não prestam atenção, e mesmo informando que você é um cadeirante, eles dizem que os ingressos esgotaram.

Então é preciso questionar sobre os espaços reservados, pois só assim eles irão verificar, e geralmente há vagas livres. Mas não são as pessoas com deficiência que deveriam ter assa atitude, e sim os locais que deveriam saber vender direito, por isso eu criei um treinamento para capacitar as pessoas ao atendimento inclusivo. Embora muito lugares informem como atendimento preferencial, de acordo com a Lei 10.048 de 2000, o atendimento é prioritário. Preferência é uma escolha, então você atende se preferir, e prioridade é uma regra, onde você precisa atender em primeiro lugar. Por causa dessa lei, é uma acessibilidade exclusiva, mas que também na prática não funciona direito.

Muitos lugares organizam e sinalizam uma fila preferencial, e em vários casos o atendente não controla as pessoas que entram nela, e muitas pessoas que não tem direito à prioridade, se aproveitam para entrar nessa fila e ser atendido mais rapidamente. Nas minhas palestras, sempre dou exemplos relacionados a preferência ou prioridade, como a questão dos elevadores, que muitas vezes vem lotados, mas ninguém cede espaço para eu entrar, e muitas vezes o elevador é minha única opção.

Na praça de alimentação de um shopping, encontrei mesas sinalizadas com o símbolo de acessibilidade, dando a entender que é uma mesa para pessoas com deficiência. Não há nenhuma regra referente a acessibilidade exclusiva de mesas. Neste caso, as mesas também não tinham nada de diferente das outras, para facilitar a acessibilidade. Então, não seria necessário colocar essa sinalização, mas também não é proibido.

No horário de refeições o local fica lotado, difícil de arranjar uma mesa vaga, mas essa dificuldade é de todos, e não somente da pessoa com deficiência. Nessa situação, o melhor é ter a hospitalidade das pessoas, ao ver uma pessoa com deficiência procurando um lugar para comer, oferecer um espaço na mesa em que está sentado. Aliás, a hospitalidade pode resolver muito problemas.

Eu já postei cada um desses exemplos, separadamente, em minhas redes sociais. Então se quiser ver mais detalhes, veja os artigos no meu blog, me siga no instagram e se inscreva no meu canal do YouTube.

 

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