Acessibilidade invisível na entrada. Quando a opção existe, mas ninguém consegue ver.

Man climbs CN Tower steps in wheelchair

Escrito por Ricardo Shimosakai

2 de março de 2022

Acessibilidade invisível na entrada. Alguns lugares aparentemente não possuem acessibilidade, pois deixam à mostra somente degraus e escadarias. Porém, em alguns deles, existe sim uma entrada acessível, mas que está em um local praticamente escondido.

Há lugares onde a opção de entrada acessível fica por portas laterais ou nos fundos do estabelecimento, que podem ficar distantes da entrada principal. A regulamentações de acessibilidade diz que a entrada alternativa acessível, deve ficar localizada a no máximo 50 metros da entrada principal. Há estabelecimentos que aproveitam as entradas de serviços, que geralmente ficam nessas portas laterais ou pelos fundos, por onde costumam entrar carrinhos de carga e por isso tem uma rampa, como a opção da entrada com acessível. Só que entradas de serviço geralmente são sujas e bagunçadas, então bastante desagradável para um visitante.

Em uma outra situação, o estabelecimento tem uma entrada construída especialmente para a acessibilidade e dentro da distância máxima exigida, que é o caso do Museu Judaico de São Paulo, onde o vídeo abaixo foi filmado e que vamos utilizar como referência. Até aqui parece um cenário perfeito, se não fosse a questão que esta entrada não fica livre, da mesma forma como fica o acesso pelas escadas, pois a entrada acessível é através de uma plataforma elevatória que fica atrás de uma porta fechada, então é necessário chamar um funcionário para abrí-la.

O problema é que não há nenhuma maneira de chamar um funcionário, como uma campainha, por exemplo. Por acaso, um funcionário saiu e me viu, e percebeu minha intenção de entrar, mas geralmente em casos parecidos, eu tenho que pedir a ajuda de alguém passando pela rua para entrar e chamar um funcionário, ou então telefonar para o estabelecimento e avisar que estou na frente. São alternativas, mas não é assim que o local deve estar preparado.

Outro detalhe é que essa entrada opcional não estava sinalizada, então você só vê a escadaria na entrada principal, e não sabe que há uma entrada acessível. É esse tipo de entrada escondida, que eu chamo de acessibilidade invisível. E nessa situação, o visitante que necessita da acessibilidade, pode se desapontar por aparentemente não ter encontrado acessibilidade e ir embora desistindo da visita, e depois ainda falar mal das condições do local, tudo isso por falta de uma sinalização correta.

O que quero reforçar, e que sempre coloco em vários exemplos que dou, é que a acessibilidade precisa ser funcional. Muitos se preocupam somente com a estrutura física, mas há outros elementos para que a acessibilidade funcione corretamente e não seja somente um ítem para cumprir leis e normas. Para quem se interessar em aprender mais sobre o assunto, visite a minha página de cursos, onde eu ensino a acessibilidade e a inclusão em um nível mais avançado.

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